sábado, 1 de outubro de 2016

Conversa Atravessada II

"A história não passa hoje de um pretexto pra se continuar enganando a humanidade". 

- Ramón Gómez de la Serna citado por Abujamra






    Todo dia, ou quase todos, qnd eu tô saindo, ou qnd chego aqui na  berada pra observar a vida e o visual da city, me deparo com essa arvrezinha, que briguei com a gramática mental por querer chamar ela de 'minha'. Mas então, adotei ela faz alguns meses, cerca de cinco meses - acho, e vinha pensando em escrever sobre como era tratar de uma arvre em miniatura, que o pessoal chama de 'bonsai' -  eu também, mas achei que pareceria meio gourmet usar essa 'word' aqui, já que, destacada de seu contexto oriental, ela pouco expressaria o que eu teria pra dizer sobre a planta.
    Acontece que esse pequeno arbusto tem me causado uma pontinha de mal-estar, e, pra quem me acompanha o raciocínio, esse é dos piores. Os grandes malestares me parecem que são sentidos por um maior número de pessoas e assim se tem uma sensação de normalidade perante eles, se é que me faço entender. Se não, desconsidere.
    É o seguinte, faça sol ou faça chuva, esteja eu alegre ou triste, lá está ela do mesmo jeito, insensível (solidário de mim o cel errou e sugeriu a palavra 'iceberg' - declinei). Essa arvrinha, chegad@, só precisa de meio copo de água, dia sim, dois não - já passei até mais. Olha que constança. E a gente pensa que vai ficar fazendo intervenção paisagista nela toda hora. Tem isso não. Desde que reboquei ela pra cá, cortei só uma meia dúzia de galhim, e faz tempo isso. Meteram fogo no mato aqui -  tudo  consumido - e eles já tão crescendo como praga e até já estão maiores que ela. As árvores da matinha, suas vizinhas de paisagem, se renderam ao momento da estação e já tão ficando tudo depenada, enquanto ela, em sua miudeza, parece estar até mais vistosa - talvez pela situação penosa das outras. Isso que dá o contato com material conceitual de cultura diferente. Um bom escritor se fosse falar de bonsai, provavelmente, faria um Haikai e representaria o universo, esses caras são demais. Raios me partam, pq enquanto 'moi, mon ami,' fico pensando em escrever uma "novela" (sugestão do cel - aceitei, queria teclar 'a novel', no the slide keyboard).
Não nos dispersemos mais. Tem uma frase que ouvi em um vídeo no you tube, coisa do café filosófico - achou que ia escapar das minhas re-flexões, né!? Rsrs. Despeço-me dos enfadados. Então, como contava, o palestrante, um psicólogo, dizia que qnd falamos de alguém, e percebo que até de coisas, falamos mais da gente mesmo do que do outro, ou da coisa. Eu só me apropriei disso experimentando: num dia em que saia apressado pra trabalhar de manhã e, tendo o sinal fechado, parei atrás de outro veículo, qnd percebi que o farol do carro que eu conduzia estava ligado. "Olhar pro outro e ver vc", sentiu o drama?
    Essa pequena árvore, colegas, faz mais intervenções em mim, do que eu nela. Ela me faz pisar no freio da vida, desacelerar. Me faz pensar no porquê de eu estar tão 'ansioso' (teclado miserento, me propôs "ancião".  Poxa, calma aí que eu já chego lá). Também me sugere ter mais constança e força de vontade pra, no tempo certo, fazer as coisas de que tenho grandes vontades, mas não deixar de viver bem o presente. Porque talvez mais tarde eu mesmo perceba que eu nem queria aquilo tanto assim.
    Olha aqui, sua arvrinha, eu esperava tudo de vc, mas tu me surpreendeste.  Não nos percamos nesse diálogo. Fala comigo!

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